Mostrando postagens com marcador bruno felipe psicologo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bruno felipe psicologo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Quando o casamento não faz mais sentido

Tenho visto muitas vezes no consultório homens que não chegam dizendo "meu casamento acabou", mas eles chegam falando de irritação, cansaço, vontade de ficar sozinhos, falta de paciência, excesso de trabalho. Alguns demoram bastante até perceber que parte desse desconforto está relacionada à própria relação.

Vocês conseguem, como casal, administrar a vida e decidir quem busca as crianças, quem paga determinada conta, quem leva alguém ao médico, o que será feito no fim de semana. A comunicação existe, mas ela ficou restrita à administração da casa.

Eu costumo prestar atenção nisso quando converso com um paciente. Pergunto sobre o que ele e a esposa fazem juntos quando não existe nenhuma obrigação envolvida. Às vezes ele responde rapidamente; em outras, fica alguns segundos tentando lembrar. E essa diferença importa muito!

Uma casa organizada não diz muita coisa sobre a qualidade da relação entre duas pessoas. O casal pode ter estabilidade financeira, filhos bem cuidados e uma rotina previsível sem sentir satisfação em estar junto.

Também vejo muitos homens confundindo ausência de briga com tranquilidade. Eles dizem: "A gente quase não discute". Quando começo a investigar, descubro que os dois simplesmente pararam de discutir determinados assuntos porque já esperam o mesmo resultado.

Você fala, ela não muda. Ela fala, você não muda. Depois de algum tempo, ninguém fala mais nada mesmo.

Observe como vocês passam o tempo juntos. Vocês conversam porque têm vontade de conversar ou apenas porque precisam combinar alguma coisa? Você ainda conta para ela alguma coisa que aconteceu no seu dia porque quer compartilhar, ou ela é apenas a pessoa que precisa saber dos assuntos da família? Você sente falta dela quando ela está longe? Não estou falando da falta que você sente da rotina que ela ajuda a manter. Estou falando dela.

No consultório, às vezes aparece um detalhe bastante curioso, que acontece quando o homem conta que a esposa viajou por alguns dias e ele diz que conseguiu descansar melhor, ficou mais tranquilo, fez o que queria, saiu com os amigos, assistiu às coisas de que gosta.

Outro sinal é quando cada um começa a viver uma vida paralela dentro do mesmo casamento. Cada um tem seus amigos, seus programas, seus horários e seus interesses. Isso, por si só, não é um problema. Um casal saudável não precisa fazer tudo junto e é fundamental que cada um tenha mesmo a sua individualidade. O que merece atenção é quando a vida individual vai ocupando praticamente todo o espaço que antes pertencia ao casal.

A intimidade costuma mostrar isso com bastante clareza, com o sexo diminuindo muito ou desaparecendo. Talvez ainda aconteça, mas sem proximidade. O toque espontâneo também some. Vocês dormem na mesma cama, dividem a casa e continuam sendo um casal, mas quase não existe contato entre vocês que não tenha uma finalidade prática ou sexual.

E não, uma fase assim não significa automaticamente que o casamento esteja acabado. Filhos pequenos, problemas financeiros, excesso de trabalho, doença na família e períodos de estresse podem afetar profundamente a disponibilidade de um casal. Mas se isso se prolonga e ninguém demonstra interesse em recuperar a relação, isso pode exigir atenção.

Entre os homens, percebo ainda uma dificuldade específica para reconhecer esse tipo de insatisfação. Muitos foram acostumados a medir se a vida está dando certo pelas responsabilidades que conseguem cumprir, como por exemplo: se o trabalho está em dia, as contas estão pagas, os filhos estão bem e a família tem segurança.

Às vezes, por estar infeliz, ele trabalha mais, fica mais tempo no celular, sai mais com os amigos, começa a passar mais tempo sozinho, arranja alguma coisa para fazer longe da família.

Eu não estou dizendo que todo homem que trabalha muito ou gosta de ficar sozinho está infeliz no casamento. Seria uma conclusão absurda. Estou falando de uma mudança de comportamento que aparece junto com o afastamento da relação e que o próprio homem começa a perceber, mesmo que ainda não consiga nomear.

Em casos assim, tente investigar o que está acontecendo. Sua esposa percebe a mesma coisa? Ela também sente falta da relação que vocês tinham? Existe disposição dos dois para mexer nisso? Ou apenas você está incomodado?

Essa resposta é importante porque um casamento não pode ser recuperado por uma única pessoa.

Também não recomendo tomar decisões definitivas no auge dessa percepção. Primeiro tente entender o que aconteceu. Há quanto tempo vocês estão assim? O afastamento começou depois de algum acontecimento específico? O desejo de ficar sozinho aparece apenas dentro do casamento ou também em outras áreas da sua vida? Você ainda sente admiração pela sua esposa? Ainda existe carinho? Existe vontade de reconstruir alguma forma de intimidade?

São perguntas que ajudam a separar uma insatisfação conjugal de um momento ruim da vida.

Se vocês tentam conversar e sempre terminam no mesmo lugar, a terapia de casal pode ajudar. Eu vejo isso funcionar melhor quando os dois entram no processo dispostos a entender o que aconteceu, inclusive aquilo que cada um contribuiu para criar.

Caso queira, você pode marcar uma consulta para discutir esse assunto! Clique aqui para entrar em contato: Marcar Consulta ou Formulário de Interesse

sexta-feira, 17 de março de 2023

Assumindo a responsabilidade no processo terapêutico

Não é fácil assumir responsabilidades. Com o passar dos anos, elas aumentam, se acumulam e aí só temos a opção de encará-las. Muitas vezes é desesperador, pois nos vemos perdidos.

Algumas responsabilidades não podem ser transferidas ou delegadas aos mais próximos. Um exemplo: mudança em hábitos alimentares! Você pode se consultar com um médico, um nutricionista e então passar a seguir um cardápio personalizado. Você delegou esse serviço a outra pessoa, mas se alimentar de acordo com o que foi sugerido só depende de você! Essa é a sua responsabilidade no processo. Não existe possibilidade de ser uma pessoa saudável se você não fizer a sua parte. O protagonista de sua história é você! Outras pessoas irão lhe auxiliar, aconselhar, ajudar, mas você precisará trilhar o caminho com seus próprios pés.

Em consultas, não raramente, vejo que existe uma grande expectativa. Me sinto feliz quando recebo alguém que está disposto a mudar, que se interessa pela terapia, mas colocar toda a responsabilidade pela sua vida nas mãos de outra pessoa não é bom. O meu trabalho consiste em ouvir, captar cada informação da maneira mais sensível possível e entender a causa daquele problema. Após isso, com base em tudo o que estudei e experienciei, planejo e traço a rota do tratamento. Ter paciência e seguir as orientações é essencial para que os resultados apareçam. Sua participação ativa é fundamental! E isso é válido para qualquer outra coisa em sua vida. Seja para fazer exercícios em uma academia (com um personal lhe auxiliando) ou aprender um novo idioma.

A terapia não é uma fórmula mágica e, geralmente, problemas crônicos têm tratamento demorado. O problema se acumulou, logo, precisaremos de tempo para resolvê-lo. Tenha calma, não desista! Melhorar, ser mais feliz e saudável é totalmente possível e, acredite em mim, você merece! Vamos tentar isso juntos? Se você está aqui e decidiu assumir a responsabilidade de mudar para melhor, veja esse texto que escrevi com algumas dicas interessantes: dicas para melhorar sua energia.

Caso precise de apoio, você poderá me escrever em: bfelipe.psi@gmail.com

sábado, 11 de março de 2023

Como acabar com o ciúme que sinto da minha namorada?

Já faz um tempo que recebi essa pergunta no Instagram, mas como é um assunto que exige um pouco mais de profundidade, resolvi escrever um texto.

Esse tema é bem interessante, já que fala de algo que nos é comum: o possuir. O ciúme está diretamente ligado a nossa ideia do “ter”. Nós sentimos ciúme de algo/alguém que julgamos nos pertencer (mesmo que o objeto do ciúme não tenha qualquer relação conosco).

Quando nos sentimos inseguros, detectamos ameaças em todos os locais. Cada pessoa, cada gesto, ação ou tentativa que o outro faça de ter um mínimo de privacidade, já nos dá o alerta de perigo. Qualquer um pode “roubar” o nosso lugar no coração e na vida daquela pessoa que tanto estimamos.

“Quem ama, cuida”

É verdade. Em geral, quem ama também costuma cuidar. Apesar de carinhosa, essa frase é um pouco perigosa e muitas vezes é usada para justificar algumas atitudes que não são saudáveis. O sentimento de posse e insegurança está longe do amor e, quanto mais alimentamos o ciúme, menos atenção damos aos bons sentimentos. Cuidar, amar e se preocupar é super positivo, mas tenha cuidado para não sufocar, prender ou privar o ser amado.

Como amenizar o ciúme

– Segurança! Todos nós somos seres de valor e temos nossas qualidades. O problema é que muitas vezes não enxergamos isso. Nos comparamos, nos sentimos inferiores, menores, focamos na autocrítica em demasia… Para trabalhar a segurança, faça uma autoanalise, reconheça o que lhe agrada. Liste pontos que você considera que sejam diferenciais. Trabalhe para melhorar o que VOCÊ considera um problema e busque conviver bem com aquilo que você ainda não se sente pronto para modificar. Exercite isso.

– Relacionamentos de confiança. Esse é um ponto muito, muito importante! Como ninguém pode exigir confiança (é algo que se constrói com o tempo), procure motivos para confiar na sua parceira(o). Observe, analise os padrões de comportamento das pessoas com quem você se relaciona e reflita sobre isso. Pense se existe uma razão para que você se sinta inseguro(a). Houve traição? Isso foi verdadeiramente superado? Você se sente valorizado(a)? Há diálogo? Há colaboração? Críticas são constantes? Você se sente ameaçado(a) quando qualquer pessoa se aproxima do ser amado? Além da análise, note se a sua percepção do outro não é supervalorizada. É fundamental entender a outra pessoa como ser humano passível de erros, possuidor de defeitos e qualidades, assim como você.

– Conecte-se. O diálogo, as demonstrações de carinho, admiração, reconhecimento e zelo são essenciais para manutenção de toda e qualquer relação. A proximidade cria intimidade e conexão, portanto, gera estabilidade e confiança.

– Livre-se da paranoia. Alguns relacionamentos dão certo por muito tempo, outros por pouco e alguns nem chegam a começar. Isso faz parte da vida e é necessário aprender a lidar com essas possibilidades. Gastar tempo e energia em algo que lhe faz mal e lhe deixa triste, apenas irá atrasar sua vida. Não deixe que o outro seja o protagonista da sua história! Se você passa mais tempo se preocupando com o que o parceiro está fazendo (e esquece de si), a relação não está saudável.

– Tenha um propósito de vida. Faça atividades prazerosas e úteis. Se dedique a cursos que tenham a ver com você e cogite fazer trabalho voluntário. Faça algo que lhe dê motivação e realização. Quais são suas metas e sonhos? Realizar algo para si é uma excelente maneira de tirar o foco do ser amado. Seja uma pessoa produtiva.

– O passado. É comum que um histórico de relacionamentos ruins acabe afetando o relacionamento atual, pois os traumas não foram devidamente trabalhados e tratados. Reflita sobre a repetição de padrão em suas relações.

– Faça terapia! Essa é a melhor forma de entender a raiz do ciúme, de identificar de onde vem esse sentimento, de trabalhar as inseguranças, o medo de rejeição, a autoimagem, entender a forma como você se comunica com sua parceira(o) e traçar estratégias para se sentir bem.

– Divirta-se! O que você gosta de fazer nos momentos de folga? Não vale falar que é estar ao lado da namorada(o)! rs. O que lhe dá prazer? Dançar? Ler um livro? Conversar com amigos? Jogar baralho? Ir ao cinema? Então faça isso! Tire momentos para se descobrir e deixe o outro aproveitar alguns momentos com outras pessoas também. Com isso, você trabalha o autoconhecimento, segurança e ainda se distrai. Um relacionamento “arejado” é muito mais leve e feliz.

Resumindo:

Para vencer o ciúme, busque o autoconhecimento e segurança. Tente se relacionar com pessoas que te façam bem e que se mostrem confiáveis. Fortaleça seu vínculo com essas pessoas, para que você tenha total liberdade para ser quem você é e, também, para assegurar ao outro que ele poderá ser honesto e verdadeiro contigo. Assim se constrói uma vida tranquila e sem ciúme.

Se, mesmo seguindo estes conselhos, você ainda não consegue confiar na outra pessoa ou está vivendo em um relacionamento abusivo (com alguém que te fere e deprecia), talvez seja a hora de seguir em frente e deixar essa pessoa nociva em seu passado. Claro que nem sempre isso é fácil, mas o meu papel aqui é te ajudar.

Espero que você tenha gostado e que esse texto tenha sido de alguma ajuda. Caso você queira que algum tema específico seja abordado, dê sua sugestão na área de comentários.

segunda-feira, 6 de março de 2023

Falando um pouco sobre Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

Como alguns de vocês já sabem, a minha abordagem terapêutica é a TCC. Apesar de ser uma abordagem bastante conhecida, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre ela. Hoje resolvi explicar melhor como essa terapia funciona.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma abordagem terapêutica que se concentra na relação entre os pensamentos, sentimentos e comportamentos de uma pessoa. A TCC é baseada na ideia de que nossos pensamentos afetam nossos sentimentos e comportamentos, e que mudar nossos pensamentos pode ajudar a mudar nossos comportamentos e emoções.

Aqui estão alguns conceitos e técnicas chave da TCC:

Identificação de pensamentos negativos: a TCC ensina os pacientes a identificar seus padrões de pensamento negativos ou distorcidos, como pensamentos catastróficos, auto-críticas ou generalizações. Esses pensamentos podem levar a sentimentos negativos e comportamentos disfuncionais.

Reestruturação cognitiva: uma vez que os padrões de pensamentos negativos são identificados, o terapeuta ajuda o paciente a desafiar e mudar esses pensamentos para algo mais positivo e realista. Essa técnica é chamada de reestruturação cognitiva.

Exposição: a TCC frequentemente envolve a exposição gradual a situações ou objetos que provocam ansiedade ou medo, com o objetivo de reduzir a resposta emocional negativa.

Habilidades comportamentais: a TCC ensina habilidades comportamentais específicas para ajudar os pacientes a lidar com problemas emocionais, como habilidades de resolução de problemas, habilidades de comunicação, habilidades de relaxamento e habilidades de assertividade.

Monitoramento do progresso: durante a terapia, os pacientes são encorajados a monitorar seu progresso e avaliar suas emoções e comportamentos em relação aos objetivos estabelecidos.

A TCC é frequentemente usada para tratar transtornos de ansiedade, depressão, transtornos alimentares, transtornos de personalidade, dependências e muitos outros problemas emocionais e comportamentais. A TCC é uma abordagem baseada em evidências e é amplamente reconhecida como uma terapia eficaz para muitos problemas de saúde mental.

Espero que esse post tenha te ajudado a entender melhor a TCC. Caso você tenha alguma dúvida, sinta-se livre para colocá-la nos comentários.